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Seja bem vindo, 26 de Setembro de 2018
  • Escrito por Casa Pe. Melotto
  • 26 Fevereiro 2018
  • Acessos: 199

Autoridade: Limite com Afeto

Ocupando lugar central nas políticas públicas e sociais, a família, entendida como lócus principal de socialização e proteção de seus membros, continua a enfrentar os desafios em exercer autoridade no cuidado e educação dos filhos. As transformações ocorridas na sociedade tiveram significativa influência nas mudanças percebidas no âmbito privado, em especial, nas configurações e dinâmicas familiares.

A educação de um filho é uma das tarefas que exigem imensa atenção e preocupação constantes. Por esta razão, traz consigo inúmeras dúvidas e angústias. Frequentemente, pode-se observar discursos permeados pela concepção de que, prioritariamente, os indivíduos teriam obrigação de saber exercer os papéis ou funções paternas e maternas, às custas de serem rotulados como irresponsáveis. Considerando que a família nuclear – aquela formada por pai, mãe e filhos biológicos – permanece no ideário coletivo como modelo, levando a muitos equívocos, preconceitos e frustrações aos quais os seus membros estão expostos, qualquer outro que fuja a este conceito, carrega consigo o peso de ser categorizado como “desestruturado”, nunca alcançando o status aceitável à sociedade.

Contraditoriamente, as diretrizes das políticas públicas brasileiras compreendem que as famílias não devem ser culpabilizadas pelo seu aparente “fracasso”. Porém, não podemos desconsiderar que a culpa, a responsabilidade, o fracasso ou o sucesso atribuídos a este grupo social, tem posto em xeque a sua autoridade.

Ainda que possamos ter em mente a conjuntura econômica, política e social do país que sempre vitimou indivíduos e grupos, marginalizando e fragilizando as relações sejam elas de trabalho, sociais ou afetivas, levando a novas formas de organização, fiscalização e novas regras que direcionam a não violação de direitos das crianças e adolescentes pelos responsáveis, tais mudanças acabaram provocando a adoção de posturas extremas pelos pais, ora agindo com rigidez, superproteção, em alguns casos, até mesmo com atitudes abusivas e violentas (nem sempre conscientes); ora agindo de forma permissiva e negligente.Autoridade com afeto

Embora possamos considerar ações e reações instintivas quanto aos cuidados, proteção e responsabilidades com os membros mais frágeis do grupo familiar, especialmente com os filhos, muitas vezes aqueles que as assumem se deparam com conflitos inquietantes. Em outros casos, por diversas razões, as quais não será nosso foco neste texto, há uma total alienação ou ignorância no que se refere ao senso de cuidado, seja pela fragilidade ou rompimento dos vínculos afetivos, seja pela negligência ou abstenção em avocar tais funções.

Sendo assim, muitos pais têm vivido com a angústia real e os questionamentos pertinentes quanto a como exercer sua autoridade e estabelecer limites. E ainda, como fazer isso sem se tornarem reféns dos filhos ou serem acusados de autoritários ou, até mesmo, de maus-tratos.

Se tivermos em mente que a autoridade diz respeito a um poder exercido de forma legítima, genuína, natural e que, por sua vez, exclui qualquer método de coerção ou persuasão, implicando, desta forma, em obediência voluntária e que, dentre as funções paternas e maternas estão as de criar e orientar alguém, estes pais não podem se tornar reféns deste, uma vez que o amor responsável impõe limites com afetividade, ou seja, nega quando é necessário e no momento em que é necessário. Ação que está longe de ser compreendida como autoritarismo (aquela que produz algum tipo de crueldade).

Em contrapartida, existem alguns pais que por sua ineficiência em exercer tal autoridade, a delega a outros indivíduos ou instituições, como: a família extensa ou a escola. No entanto, o papel da escola é a escolarização, ou seja, cabe à escolar promover o desenvolvimento de competências, ministrar o ensino, favorecer a formação e a compreensão da responsabilidade social de cada indivíduo, bem como, a construção da cidadania. Esses pais, por vezes, procuram compensar sua inabilidade no educar buscando modelos ou soluções prontas para alcançar o resultado desejado no processo de definição de regras e limites e na adoção de uma postura respeitosa e obediente por parte dos filhos. Em outros casos, se revelam apáticos e cansados pelos insucessos anteriormente experienciados ou pela reprodução de sua própria história de vida assumida na relação com os filhos.

Faz-se necessário perceber que o exercício da autoridade é indispensável à boa formação ou educação das crianças e adolescentes, os quais muitas vezes, por suas próprias atitudes desafiadoras requerem do adulto responsável tal postura, como forma de testar e comprovar o afeto dispensado por este. Destaca-se que as vinculações estabelecidas ou construídas ao longo da vida com os pares, não estão isentas de dificuldades, riscos ou sofrimento, e que pais que adotam posturas abusivas com os filhos, certamente terão problemas com a justiça.

Desta feita, os responsáveis precisam avocar as responsabilidades inerentes às funções parentais e aprender a dialogar com seus filhos, sabendo que a família, independente dos modelos que assume, é mediadora das relações sociais entre os indivíduos e a coletividade, e criadora de formas comunitárias de vida, por esta razão, se encontra inserida no âmbito da proteção social.

Rebeca de Albuquerque Silva
Assistente Social – CRESS nº 5329 / 4ª Região

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